segunda-feira, 4 de março de 2013

Uma foto de 20 de dezembro de 1980

Mão amiga fez-me chegar uma fotografia que me leva a rebobinar o filme para ver as cenas desse final de ano de 1980. Foi o Ilton Carvalho que ma enviou. Uma foto de uma festa de natal que aconteceu no dia 20 de dezembro em Valença do Douro, no concelho de Tabuaço, nesse longínquo (!) ano de 1980.
Tempos magníficos aqueles. Tempos de início de funções docentes.
Depois de ter acabado o curso do magistério primário, em 1979, estive no primeiro ano de atividade (79/80) a trabalhar na escola preparatória de Paço de Arcos, nos serviços de Ação Social Escolar, e no segundo ano em Valença do Douro, não como professor do primeiro ciclo, a minha formação, mas como educador de infância, pois estava-se a iniciar a educação pré-escolar nessa época e não abundavam educador@s de infância.
Coube-me, em Valença do Douro, uma turma com 25 alunos (se bem me lembro!) e um espaço muito pequeno, improvisado, com uma área diminuta (+ ou - 20 metros quadrados), sem iluminação e sem nenhum material didático.
Valeram-me @s professor@s do primeiro ciclo e da Telescola, ali ao lado, a Sãozinha, a Zezinha, a Edalgisa e o Leão (com quem compartilhava casa) e a dona Emília que ajudava na limpeza.
Estavam sempre disponíveis para ajudar em tudo.
Bom, depois foi uma luta para conseguir um edifício próprio. Diligências e mais diligências através da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal. Finalmente lá se conseguiu, já no segundo período, um préfabricado.
Foi uma experiência desafiante e empolgante, para mim, e espero que, igualmente, tenha sido de excelência para os jovens que me foram confiados.
Alguns tenho-os encontrado nas minhas várias incursões políticas por terras de Tabuaço e de Valença. Gente boa. Gente amiga. Gente sempre disponível e disposta para uma conversa agradável por entre a degustação de um (quantas vezes dois!) cálices de vinho fino. Não de vinho do porto. De vinho generoso amadurecido pelo raios a pique de verões escaldantes, depois de janeiros bem frios e geados.
Veja-se o poder de uma fotografia. A força de uma imagem! Afinal o significado que para mim teve/tem aquele espaço que Torga imortalizou nos seus poemas telúricos. Poemas, através de si, escritos por um povo forte e duro. Um povo sofrido para domesticar e calcorrear, desde o alto até ao Douro, lá no fundo, aquelas encostas íngremes de xisto feitas.
A todos os alunos que naquele ano me couberam em sorte um abraço do tamanho daquela belíssima paisagem duriense.
Da esquerda para a direita: Zezinha, AP, Leão, Edalgisa, Sãozinha, Emília

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