quinta-feira, 16 de agosto de 2012

[opinião] Radioterapia para Viseu: mais do que uma urgência é uma evidência!

Foto: "As beiras"
A ministra da saúde de então, no governo do PS, Ana Jorge, deixou concluído, em Abril de 2011, todo o processo (estudos, projeto) para a construção do Centro Oncológico nos terrenos do Hospital de Viseu, uma unidade para apoiar todos os doentes oncológicos da região envolvente, nomeadamente dos distritos de Viseu e Guarda e com isto evitar as penosas deslocações dos doentes a Coimbra ou ao Porto para fazerem radioterapia e outros tratamentos similares. Aliás, o projeto só não foi lançado nessa altura por coincidir com período eleitoral.
Porém, para o atual governo do PSD e do CDS esta não foi uma prioridade como se conclui, um ano volvido, sem qualquer passo dado. Infelizmente para a região, mas sobretudo para os milhares de doentes do foro da oncologia.
Mas se no governo ainda houver dúvidas sobre a necessidade de avançar para a construção de tal unidade basta ler o relatório do estudo elaborado pela ERS (Entidade Reguladora de Saúde), recentemente divulgado, onde não há dúvidas sobre a urgência de por cobro a tal situação.
Na região Centro, segundo o estudo, 44% da população reside em localidades situadas a mais de 60 minutos de um estabelecimento prestador de cuidados de radioterapia e isso diz bem da dimensão do problema. São milhares de pessoas que regularmente, em situação física e psicologicamente frágil, têm que andar num reboliço de trânsito para aceder aos tratamentos que são prescritos à maioria dos doentes oncológicos, quando lhes poderiam ser facultados em Viseu. E falamos, obviamente, de mais de 60 minutos de ida e outros tantos de volta durante cinco dias por semana, normalmente durante cinco semanas.
Deixemo-nos, portanto, de conversa mole e de lutas políticas que não valem a pena quando estão em causa valores desta ordem de grandeza.
Paulo Macedo e o governo não podem ter hesitações e os políticos de Viseu só têm que fazer o que lhes compete: exigir a uma só voz tal equipamento que não é do interesse de Viseu, mas sim do interesse das pessoas, do interesse dos portugueses.
Tal equipamento, mais do que uma urgência é hoje uma evidência.
Acácio Pinto

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