domingo, 8 de julho de 2012

Texto de Amadeu Araújo, na TSF, a propósito do "Prove Dão Lafões"


Deixo-vos este magnífico texto do jornalista Amadeu Araújo, da TSF, lido para enquadramento da emissão que foi efetuada, no sábado à tarde, dia 7 de julho, a propósito da iniciativa "Prove Dão Lafões" que decorreu no Adro da Sé em Viseu nos dias 6, 7 e 8 de julho:

«Palácios, torres e igrejas…Vozes claras do viver da gente. Um naco de Portugal…Uma bênção do céu. Águas abundantes que jorram por verdes campos, onde homens levantaram monumentos sem conto… Livros abertos para folhear a história…Um bater de coração que vem de longe, desde que Décimo, Petreio e Cássio foram escorraçados pelos pastores que aqui abriram os caboucos da Pátria... Terra fértil principiada por lusitanos que desceram dos montes para lavrar leiras e lameiros…E desde então que em fins de Setembro, há cheiros de mosto que sobem os vales. Terras generosas e almas francas…
Dão Lafões, no coração da Beira, é terra farta… Quatro rios, cinco serras e meia dúzia de fontes termais… Terra assídua nos anais da história…Berço e destino de ilustres personalidades que aqui saborearam riquíssimas iguarias e finos néctares…Vinho amaciado por mãos rudes e no entanto generosas…Mãos de almas inquietas que afagam a vinha e arrancam das mandibulas das serranias o sustento que torna abastada a mesa e fraterna a amizade…Em Dão Lafões há todo um mundo, uma janela aberta para este Portugal que tem na beira o melhor da dispensa…E cá estamos nós neste castro feito cidade quinhentista que viu chegar os romanos, pelejados por esse Viriato, guerreiro amado e construtor de uma nação livre que haveria de ser pintada por Grão Vasco, contada por Camilo, descrita por Aquilino…Alguns entre tantos…Os muitos que calcorrearam o verde dos pinhais, o cinzento do granito, que sentiram as cores vivas das giestas, dos loendros em flor, da carqueja…Dão lafões encanta-nos pelas paisagens, rasgadas por rios cristalinos que afagam vinhedos carregados de história…Dão lafões é isto…terra aninhada nos contrafortes da Serra do Caramulo de onde jorra a mais pura água de nascente…E cá em baixo, nestes planaltos e vales acolitados pelo Vouga, Dão, Mondego e Paiva, 300 mil almas que reúnem saberes ancestrais e recebem todos como se fora a família que nos visita em dia de boda…Pão e vinho sobre a mesa vestida com panaria de linho que hoje é dia de romaria…
Afinal este bom povo desde sempre trabalha a terra que aprendeu a respeitar»

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