terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Lugar do Capitão recebeu tertúlia sobre o "Acordo Ortográfico"

Concordo com o Joaquim Alexandre Rodrigues quando diz, no blog Olho de Gato: "esta tertúlia foi congregada pelo Fernando Figueiredo, do blog Viseu Senhora da Beira, e ocorreu no sempre hospitaleiro Lugar do Capitão", em Viseu, no dia 27 de fevereiro, à noite.
E, isto dito, importa igualmente aqui e agora reafirmar o quanto gostei de particpar neste debate, bem vivo, e nesta dinâmica interação, acutilante, com um público maduro e atento.
Fernando Figueiredo explicou com clareza a iniciativa, Fernando Paulo Baptista dissertou de forma empolgada e competente contra o acordo ["SOS" pelas matrizes profundas da Língua Portuguesa], Joaquim Alexandre Rodrigues moderou bem, com a sempre condescendência democrática e os deputados, Acácio Pinto, Hélder Amaral e João Figueiredo, deixaram as suas opiniões, mais pessoais que partidárias, sobre o acordo ortográfico e responderam às inúmeras questões suscitadas.
Pela minha parte, coloquei desde o início a minha declaração de interesses em cima da mesa: sou a favor do acordo ortográfico.
Alguns dos argumentos que utilizei: i) lidar com duas ortografias oficiais da língua portuguesa é negativo e prejudica a unidade e o prestígio do português no mundo, nomeadamente nas instituições e nas academias internacionais; ii) uma grafia comum aos países da CPLP abrirá novas oportunidades ao mercado da edição em português; iii) a língua é uma entidade em permanente construção e evolução e em nenhum momento ela cristaliza; iv) depois de cem anos de divergências ortográficas (desde o acordo de 1911 que não foi extensivo ao Brasil) e depois de vários tentavias goradas de acordos envolvendo a Acedemia Brasileira de Letras e a Academia de Lisboa de Ciências (1931, 1943, 1945, 1971/1973, 1975 e 1986) foi finalmente encontrado um texto comum que podendo ter lacunas é um acordo internacional e um acordo é, em si mesmo, um ato positivo que importa enfatizar; v)  não tenhamos medo desta mudança que visa aproximar a grafia da articulação fonológica, pois já no passado também houve alterações, neste como noutros aspetos, também contestadas à época, mas que foram absorvidas pelos falantes e pelos escreventes [p.e. aflicto-> aflito; exhausto->exausto; phosphoro->fósforo; sciência->ciência].
Admito que passaremos por um período de alguma "cacofonia ortográfica"* mas isso não deve invalidar, por si, o acordo pois que, os falantes do futuro, as crianças, incorporarão rapidamente os reajustamentos resultantes do acordo ortográfico.
* Joaquim Alexandre Redrigues, dixit.
(Fotos: VSB/FF)

2 comentários:

  1. “NÃO MUDEM AS REGRAS A MEIO DO JOGO,“NÃO MUDEM AS REGRAS A MEIO DO JOGO, NÃO NOS TRATEM COMO LIXO, SOMOS O FUTURO DE PORTUGAL, PAÍS DO QUAL SOMOS CIDADÃOS COM DIREITOS”
    No início do mês de Janeiro foi modificado o sistema de apuramento da classificação final do ensino secundário dos cursos Científico-Humanísticos do ensino recorrente para os estudantes que queiram prosseguir os seus estudos, sem alterar a situação daqueles que apenas pretendem completar o ensino secundário.
    Assim, para os alunos dos cursos Científico-Humanísticos de ensino recorrente que, não sendo ainda detentores de certificação do ensino secundário, pretendam vir a prosseguir os seus estudos já no próximo ano lectivo, a classificação final do ensino secundário para efeitos de prosseguimento de estudos resultará da avaliação sumativa interna e da classificação dos exames nacionais na disciplina da componente de formação geral e nas disciplinas da componente de formação específica. NO ENTANTO, NO INÍCIO DO PRESENTE ANO LETIVO, SEGUNDO A LEI VIGENTE, A APROVAÇÃO NAS DISCIPLINAS DO ENSINO RECORRENTE NÃO ESTAVA SUJEITA A EXAMES FINAIS NACIONAIS, SENDO POSSÍVEL OBTER-SE POR FREQUÊNCIA INTERNA, E ESTES ALUNOS APENAS REALIZAVAM EXAMES NACIONAIS COMO PROVAS DE INGRESSO.
    Além disso, para alunos detentores de certificação do ensino secundário que se matricularam em cursos Científico-Humanísticos do ensino recorrente, após conclusão de um curso de ensino secundário, a classificação final do ensino secundário para efeitos de prosseguimento de estudos resultará apenas da classificação dos exames nacionais na disciplina de componente de formação geral e nas disciplinas da componente de formação específica, não se levando em consideração a avaliação sumativa interna. NO ENTANTO, NO INÍCIO DO ANO LECTIVO 2011/12, A PORTARIA 781/2006, DE 9 DE AGOSTO, QUE PERMITE AOS ALUNOS DO ENSINO RECORRENTE QUE JÁ TENHAM CONCLUÍDO O 12º ANO PELO ENSINO REGULAR CONCORRER COM A MÉDIA INTERNA DO RECORRENTE E APENAS FAZER EXAMES NACIONAIS ÀS DISCIPLINAS ESPECÍFICAS DE ACESSO AO ENSINO SUPERIOR, ENCONTRAVA-SE LEGAL E O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO CONFIRMOU A SUA VERACIDADE.
    Pensamos que devem compreender que para este tipo específico de alunos imediatamente acima mencionados, não podendo concorrer com a média interna do recorrente, todo o esforço psicológico e financeiro feito até hoje, não servirá de absolutamente nada. Será, portanto, um ano completamente perdido, até porque estes alunos não precisam de estar a pagar, desde Setembro, a mensalidade que está associada a este tipo de Ensino (cerca de 250/300€mensais + o valor de inscrição 350/400€), agora apenas privado, para fazerem exames nacionais seja a que disciplina for, quando existe a possibilidade de estes se inscreverem como auto-propostos.
    QUANDO NOS INSCREVEMOS NOS COLÉGIOS QUE FREQUENTAMOS, INSCREVEMO-NOS COM A LEGISLAÇÃO ACIMA MENCIONADA, LEGISLAÇÃO ESSA QUE SE ENCONTRAVA EM VIGOR NO INÍCIO DESTE ANO LECTIVO. COM AS ALTERAÇÕES FEITAS, E COM BASE NAS INFORMAÇÕES QUE ACIMA ESTÃO EXPOSTAS, OBVIAMENTE PARTE DOS ALUNOS NÃO SE TERIA INSCRITO NESTE ENSINO. Penso que não será difícil compreender ainda, que nenhum aluno faria o sacrifício de pagar estes valores mensais para, no final de contas, o Governo em que alguns Portugueses votaram e confiaram, incluindo nós, estudantes, nos “cortem as pernas” em pleno ano lectivo COM O OBJECTIVO DE LUTAR PELOS SEUS SONHOS, SEJAM ELES QUAIS FOREM!

    Depois de tanto esforço feito e estando disposto a gastar, em média, 3000€ num ano lectivo, NÃO PERCEBEMOS ONDE ESTÁ A JUSTIÇA DE UMA LEGISLAÇÃO SOBRE UM PLANO CURRICULAR, SOFRER ALTERAÇÕES QUE ENTREM EM VIGOR A MEIO DESTE RESPECTIVO ANO.
    ASSIM, PENSAMOS QUE QUALQUER ALTERAÇÃO OU CORRECÇÃO A SER FEITA, PODE E DEVE SER REALIZADA SE O MINISTÉRIO ASSIM O ENTENDER, MAS CONTESTO INCANSAVELMENTE A ALTERAÇÃO INJUSTA E IMORAL DAS CONDIÇÕES DE ACESSO AO ENSINO SUPERIOR A MEIO DE UM ANO LECTIVO, E PEÇO A SUA IMEDIATA REVOGAÇÃO ATÉ AO PRÓXIMO ANO LECTIVO DE FORMA A RECOMPENSAR JUSTAMENTE TODO O ESFORÇO ATÉ AGORA REALIZADO E TEMPO ATÉ AGORA INVESTIDO.

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  2. Joana, embora o seu comentário nada tenha a ver com a mensagem onde o inseriu em quero dizer-lhe que desde o início discordei da alteração das regras de conclusão do secundário recorrente nesta fase do "jogo", precisamente um dia antes (22 de fevereiro) de se iniciarem as inscrições para os exames nacionais como pode constatar através do link http://letraseconteudos.blogspot.com/2012/03/pergunta-ao-ministro-da-educacao-sobre.html,
    porém o governo, sustentado no PSD e no CDS e na sua maioria, irá prosseguir com a situação.
    Acácio Pinto

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