terça-feira, 18 de outubro de 2011

(opinião) O embuste

Estamos a viver tempos muito conturbados e o governo, em vez de governar e assumir a sua governação, vive e alimenta-se de constantes nuvens de poeira que continua a atirar sobre as causas da situação política atual.
Ou seja, as causas para todos os males continuam a ser imputadas à governação do PS com o requinte de, à época, o PSD dizer que a crise era exclusivamente interna, que era, só, portuguesa e que o governo de José Sócrates era a causa para todos os males. Portanto, nada de crise internacional. Essa só nasceu em Junho e só veio afetar, portanto, o governo atual!
Estamos, pois, perante uma narrativa, que está lançada sobre a opinião pública, que é uma falácia absoluta. Do que se trata é de uma estratégia para branquear aquilo que foi uma campanha eleitoral de falsidades feita pelo PSD e para esconder a completa ausência de estratégias e ideias para governar o país.
Senão vejamos. Em campanha eleitoral o PSD disse que não aumentaria os impostos, mas antes que cortaria nas gorduras do estado. Pois bem, chegado ao governo fez, precisamente, o contrário; lançou uma sobretaxa sobre metade do subsídio de natal e aumentou o IVA para bens essenciais como por exemplo o gás e electricidade. Sobre cortes nas despesas, só maquilhagem.
Mas há mais. O Presidente da República disse, a 9 de Março, no governo do PS, que havia um limite para os sacrifícios a pedir aos portugueses e agora pede compreensão para as medidas ultra recessivas que estão a ser tomadas de forma cega e absurda por este governo.
Mas o mais grave é que agora o governo diz que estas medidas já tomadas e todas aquelas que constam do orçamento para 2012 se devem a um desvio colossal que, porém, não exemplifica e aliás já foi desmentido pela própria comissão europeia.
É que o único desvio verdadeiramente conhecido é o, tal, da Madeira, do PSD. Quanto ao mais não é desvio mas sim quebra de receita fiscal por abrandamento da economia. Foi isto mesmo que as instâncias europeias vieram dizer já depois de o primeiro ministro se ter furtado a explicar na assembleia da república o desvio. Ou seja, as instâncias europeias vieram desmentir o primeiro ministro.
E sobre tudo isto porque não escutar, por exemplo, Januário Torgal Ferreira, bispo das forças armadas que lamentou que os sucessivos “desvios colossais” não sejam explicados nem provados e considerou que as medidas anunciadas pelo governo revelam “falta de lucidez”. E continuou: “Quem me garante que em janeiro não existirá um outro desvio colossal, quem sabe, inventado, para apanhar mais dinheiro?”.

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