sábado, 8 de outubro de 2011

Lula: "É a política, a política, meu amigo José Sócrates"

(EXPRESSO 8 Out.) - «Ao receber um doutoramento honoris causa, em Paris, o ex-Presidente brasileiro defendeu o privilégio da política sobre a economia e os mercados. E virando-se para José Sócrates disse: "Não é verdade, meu amigo?".
"José Sócrates, que é meu grande amigo, está ali sentado, é estudante aqui neste instituto, foi primeiro-ministro português", disse Lula da Silva na parte improvisada do seu discurso de agradecimento pelo doutoramento honoris causa que acabara de receber do Instituto de Ciências Políticas de Paris, uma prestigiada instituição francesa. Na altura, Lula da Silva proferia um longo e apoiado elogio à primazia da política sobre a economia e os mercados. Num aparte imediato, virando-se para o antigo primeiro-ministro José Sócrates, atualmente ali a frequentar um curso, acrescentou: "Não é verdade, José Sócrates? É a política, a política, meu amigo!".
Nesta fase do discurso, Lula da Silva criticou duramente os "especialistas" do FMI, do Banco Mundial, da Comissão da União Europeia e dos Estados Unidos, dizendo que eles, no passado, deram conselhos aos países do sul, designadamente da América Latina, mas que esses "sábios" não sabem agora resolver os seus próprios problemas.
"UE é um património da humanidade, salvem-na!"
"Quando o vizinho tem dor de dentes temos o remédio, mas quando somos nós que temos dores de dentes já não há remédios", explicou, a este respeito.
Lula evocou ainda a necessidade de coragem e de visão de futuro da parte dos políticos, nomeadamente os europeus e, evocando a crise na zona euro, pediu para eles salvarem a União Europeia. "A União Europeia é uma criação muito importante, é um património da humanidade, salvem-na!", exclamou a dado passo.Dirigindo-se a toda a assistência, que enchia completamente o salão onde decorreu a cerimónia, Lula da Silva apelou à participação dos jovens na vida política dizendo-lhes para não recearem as derrotas. "Não tenham medo das derrotas, andei 20 anos a perder eleições e depois fui eleito Presidente; aprende-se muito com as derrotas, podem crer".»
(Expresso: texto e foto)

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