quinta-feira, 24 de março de 2011

(Opinião) Caiu a máscara ao PSD

Um dia após ter votado contra o PEC, sem ter apresentado uma proposta que fosse, eis que Pedro Passos Coelho e o PSD deixaram cair a máscara e apresentaram uma medida alternativa ao Programa de Estabilidade e Crescimento: aumentar o IVA para 24 ou 25%.
Ora cá está a primeira proposta do PSD que, como se vê, é uma excelente (!?) medida para a economia e, sobretudo, para os consumidores!
Ou seja aquilo que o PSD tem para apresentar ao país é o aumento de impostos. E, neste caso do IVA, com a agravante de ser uma medida profundamente injusta pois afectará todos os consumidores por igual, quer os que auferem maiores rendimentos quer os que têm menores possibilidades económicas. É que o IVA, como se costuma dizer, é um imposto cego, atinge todos os portugueses.
Ora isto é bem revelador da imaturidade da liderança do PSD e de Passos Coelho. No dia 23 de Março o que fez foi votar contra o PEC, sem uma única proposta no Parlamento e no dia 24 de Março aparece desde logo com uma proposta deste jaez.
E começam a não restar dúvidas de que o chumbo do PEC foi a pior das decisões para Portugal como se pode ver pela subida imediata dos juros e pelas declarações de diversos dirigentes internacionais.
Revelou-se, pois, no dia 23 de Março, na AR, uma oposição, nomeadamente o PSD, no seu pior estilo. Revelou-se ao país aquilo que todos vínhamos suspeitando, uma coligação meramente negativa, que não apresentou nenhuma solução governativa, nem nenhuma proposta para Portugal.
Quer o PSD quer os demais partidos da oposição foram, assim, pelo pior caminho colocando os interesses meramente partidários à frente dos interesses do país.
As empresas e o financiamento da sua actividade diária vai sofrer e muito com esta crise política. Nós tínhamos, em Portugal, uma crise económica derivada da crise internacional e a partir do chumbo do PEC levámos em cima, também, com uma crise política.
É inevitável que, depois do pedido de demissão de José Sócrates, o Presidente, que perdeu muita do seu necessário distanciamento institucional a partir de 9 de Março, venha a ter que convocar eleições antecipadas. E isto significará que vamos ficar com um Governo em gestão e com necessidades de financiamento que se vão agravar a partir de agora com impactos negativos para todos os portugueses. E mais, com esta crise abrimos as portas a uma entrada do FMI e a medidas muito mais austeras de consolidação das contas públicas e o principal responsável tem um rosto: Pedro Passos Coelho.
Do PS Portugal poderá sempre esperar responsabilidade. E responsabilidade quer dizer assumir custos partidários em prol do país, assumir medidas difíceis se a conjuntura o exigir. O PS já o demonstrou no passado, com líderes como Mário Soares, e demonstrará sempre essa responsabilidade política, como ainda agora o fez com José Sócrates.
O único objectivo que deveria nortear os partidos deveria ser o da defesa de Portugal. É nessa linha que o PS se coloca, mas o mesmo não se pode dizer de outros partidos políticos como se viu esta semana na AR.
Uma certeza, porém, todos poderão ter, podem derrubar o Governo, mas nunca conseguirão derrubar o PS.

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