quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

(Opinião) Lusitânia

Há algum tempo que andam no ar algumas questões e muitas dúvidas sobre a gestão (ou falta dela) da Lusitânia – Agência de Desenvolvimento Regional, cujos associados são, na sua maioria, autarquias da região, mas também muitas associações de desenvolvimento local.
Do trabalho da Lusitânia pouco se conhece. Não há muitos dados, salvo alguns projectos que eram trazidos a público com bastante pompa e circunstância. Mas o que está aqui em causa, uma vez que se trata da gestão de dinheiros públicos, de muitos milhões de euros, é a transparência da sua gestão. Não podemos permitir que se continue a alimentar uma conversa de corredores e de esquinas. Temos que pugnar pela transparência na aplicação dos dinheiros das autarquias, dos fundos comunitários e outros.
É elementar que sejamos todos devidamente esclarecidos, sim mesmo os não associados, sobre o que se passa e passou. Estão em causa dinheiros dos contribuintes. E tendo por base as notícias do DN de 26 e 27 de Janeiro e a do Diário de Viseu de 27 Janeiro, há muitos dados que não estão devidamente esclarecidos e que, pelo contrário, indiciam vários problemas na governação que foi levada a cabo nesta Agência de Desenvolvimento Regional.
Pois o que eu acho é que o tempo dos silêncios nesta matéria acabou e uma vez que os dirigentes e gestores não esclarecem os viseenses está na altura de se efectuar uma investigação ao trabalho desenvolvido para que não continuemos embrulhados em nuvens de suspeição. Aliás, isto mesmo é defendido pelo Presidente da Câmara de Viseu, autarquia associada, quando diz ao DV: “Acho bem que se averigúe toda a situação até ao fim.”
Pois, pela nossa parte também estamos nessa linha. Se um associado exige investigação a fundo é porque não está esclarecido e, nós, igualmente, tudo faremos para que este assunto tenha o tratamento que merece. E os viseenses e todos os cidadãos merecem conhecer respostas para as dúvidas que as suspeições das notícias deixam no ar. Quais eram os gestores? Como eram efectuadas as adjudicações? Quais os fornecedores? Como eram definidas as estruturas remuneratórias (superiores às do Presidente da República)? Como era feito o controlo da legalidade das decisões, pelos associados? Então a solução agora é encerrar a Lusitânia sem apresentar contas?...
Apresentaremos na Assembleia da República requerimento a solicitar todos os elementos necessários a um cabal esclarecimento da situação, tão só porque o que está em causa é a gestão de dinheiros públicos, dinheiro de todos os portugueses.
Eu acho que não devemos fazer julgamentos sumários e na praça pública, mas também entendo que não pode haver culpas solteiras.
(Gravura: Print screen do site de hoje 2011.01.27)

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