domingo, 20 de junho de 2010

Cabanas de Viriato: Recuperar a Casa Aristides Sousa Mendes


Estive, ontem, dia 18 de Junho, em Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do Sal, numa acção promovida por um grupo de cidadãos que pretende recuperar a Casa Aristides Sousa Mendes. Esta iniciativa promovida pela jovem Regina Azevedo Pinto pretende que a Casa seja recuperada com verbas da Parque Escolar, transformando-a numa Escola de Cidadania.
Esta iniciativa divulgou-se a partir das redes sociais e conta hoje com milhares de adesões.
Com a minha presença quis homenagear em primeiro lugar Aristides Sousa Mendes, uma vez que estamos a comemorar, este mês, os 70 anos do início da emissão de vistos que vieram a salvar 30.000 judeus do holocausto. Quis, igualmente, deixar bem claro que tudo farei, como deputado do Grupo Parlamentar do PS eleito por Viseu, para ajudar a estabelecer as plataformas e as parcerias activas que possam viabilizar uma solução para a recuperação, tendo como força central a Fundação, que é a proprietária do imóvel. E, finalmente, quis também deixar bem claro que não podemos estar a envolver entidades ou instituições e a desenhar soluções concretas sem que as mesmas resultem de uma mesa negocial que envolva essas instituições.
Presentes, entre outros, o Presidente do CA da Fundação Aristides Sousa Mendes, Álvaro Sousa Mendes, entre outros membros da Fundação, o Presidente da Câmara e muitos outros autarcas municipais e de freguesia, para além da jovem promotora da iniciativa, Regina Pinto, e de muitos admiradores de Aristides Sousa Mendes.

3 comentários:

  1. Aderi, através do facebook, a este movimento de solidariedade para com este Homem que tanto bem fez e que tão mal tratado pelos Portugueses e pela história tem sido.

    Ele merece muito mais e já que em vida não teve o fim e o reconhecimento devido que lhe seja feita homenagem em morte para que a sua vida e os seus feitos não fiquem apenas na memória de alguns e sirvam de exemplo a todos. Bjs

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  2. Há já mais de 20 anos que me interesso pelo futuro da casa de Aristides Mendes, após a leitura do livro "O Consul". Para mim, como jornalista é de uma grande satisfação que finalmente se tenha uma ideia concreta do que se vai fazer com aquele edíficio que foi também parte da vida desse herói esquecido no nosso país, como quase todos os são. Bem haja quem nele intervir,

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  3. Por contingências várias da minha vida, tive contacto com pessoas que viveram e sofreram a guerra, e com descendentes de pssoas que a viveram e já faleceram. Elas contavam coisas como: «em criança ela e os irmãos que viviam na cidade, queriam comer as cascas de batata que um familiar que vivia no campo dava para cevar os seus porcos e até isso lhes era proibido.» «Percorriam as florestas em busca de bagas e cogumelos ou outras coisas que se pudessem comer, mas a floresta já estava tão vasculhada que não encontravam nada». Ou esta: «como não tinham mais nada, iam pelos caixotes do lixo e lambiam-lhes as tampas para retirar qualquer alimento que lá houvesse». Esta senhora que conheci bastante bem e foi sobrevivente da guerra, tinha perdido o pai e vivia só com a ma~e e os irmãos. Cedo começou a manifestar sintomas de velhice e faleceu muito magra e pelos quarenta e tal anos com uma leucemia.
    Era de uma bondade encantadora, sempre muito preocupada com as necessidades dos outros, e toda a gente com quem se dava lhe tinha grande afeição. Era da congregação das Irmãs Missionárias do Precioso Sangue, e a sua saúde ia-se debilitando até que se declarou uma leucemia da qual veio a falecer.
    Deixou saudades a todos os que a conheceram.
    Ela não foi beneficiária dos vistos de Aristides. Ela viveu a guerra e o pós-guerra lá na Alemanha.

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