quinta-feira, 11 de março de 2010

O feitiço contra o feiticeiro

Para quem já pudesse estar mais esquecido, as palavras de Henrique Granadeiro, Presidente do Conselho de Administração da PT, na Comissão de Ética, trouxeram de volta aquilo que era a central de comunicação e de pressão, mas dos Governos do PSD e do CDS.
Disse mesmo que a maior pressão que sofreu até hoje foi precisamente num Governo do PSD e do CDS e que foi através de Morais Sarmento (quando ao tempo era Primeiro-Ministro Santana Lopes) para que vários jornalistas fossem sacrificados. Mais concretamente três directores, a saber: Pedro Tadeu (24 Horas), Joaquim Vieira (Grande Reportagem) e José Leite Pereira (JN).
Ora cá está. Cá está como o feitiço se virou contra o feiticeiro.
E disse mais. Disse que, efectivamente, só falou com José Sócrates no dia 25 de Junho de 2009, pelo que, no dia 24 de Junho, Sócrates não mentiu no Parlamento quando disse que não conhecia o negócio de compra da TVI, como a oposição queria fazer crer.
Zeinal Bava, Presidente da Comissão Executiva da PT, igualmente, confirmou que não houve qualquer ingerência do Governo no negócio com a TVI uma vez que nem, sequer, tinha sido informado de tal.
Depois de tanta conversa e de tantas audições começa a ficar claro que estamos perante um monumental embuste criado a partir de sectores económicos e da comunicação social, em que alguns políticos embarcaram logo, quando lhes chegou o “hálito” a ajuste de contas e a vingança com o Primeiro-Ministro e com o PS.
Esteve mal a oposição, nomeadamente o PSD, como se está a ver. E não lhe chegando esta verdadeira telenovela vai daí, o PSD, deita mão à agenda do BE e quer prosseguir no erro de constituir mais uma comissão de inquérito para apurar aquilo que, afinal, os portugueses já perceberam que está apurado.
Afinal, o que a oposição pretende fazer é a reescrita da história que, como se sabe, tem dado muito maus resultados em todas as situações em que tal foi ensaiado.
Neste momento o que era importante era que nos mobilizássemos noutro sentido, em torno de outros objectivos. Era bom que a oposição nos falasse do PEC (Plano de Estabilidade e Crescimento), que nos dissesse até onde está disposta a ir, que apresentasse propostas concretas, que dialogasse e quisesse construir uma estratégia de controlo das contas públicas a bem da nossa credibilidade externa.
Era bom que o PSD se entendesse, internamente, sobre as propostas que tem para o PEC e sobre a convergência que está disposto a efectuar. Ou então que fosse claro, que assumisse a sua divergência absoluta e que dissesse aos portugueses quais são as suas verdadeiras motivações: se colocar o país e portugueses à frente, ou se dar primazia a estratégias e tácticas meramente partidárias e conjunturais. Todos ganharíamos com esta clarificação do PSD.
Por parte do PS e do Governo o rumo está traçado. Há uma linha definida que passa pelo reequilíbrio das contas públicas, com o menor impacto na economia e na coesão social.
É por isso que, entre outras, uma das linhas força do PEC apresentado aos demais partidos aponta, precisamente, para uma penalização fiscal de quem mais ganha, daqueles que auferem maiores rendimentos. Vamos também aqui perceber qual vai ser o discurso da oposição e qual o seu sentido de voto.
Não vá, mais uma vez, também aqui, virar-se o feitiço contra o feiticeiro!

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